20.5.06

O feminismo não passa pelos corredores do Metropolitano de Lisboa

Foto de Miss Piggy

Já terão com certeza reparado que a Cow Parade não é o único desfile deste Maio. As ruas de Lisboa bem como os corredores do Metropolitano são palco de uma árdua concorrência: temos, por um lado, as nossas amigas vacas que, quer queiram quer não, servem de suporte a uma nova forma de street art, e por outro lado, as nossas amigas modelos que, quer queiram quer não, vêem os seus corpos despedaçados pelas necessidades de marketing dos mais variados produtos.
Eis aqui uma amostra dos cartazes com os quais @s utilizador@s do Metropolitano de Lisboa foram assediad@s esta semana - quem usa diariamente o metro para se deslocar saberá a que me refiro, não há meio de escapar ao assédio visual das publicidades!
Haverá quem diga que é o efeito Primavera: com o calor é natural que os corpos se desnudem, e que belos corpos (temos de o admitir).
Só tenho uma dúvida: será mesmo necessário mostrar a cuequinha para se conseguir vender uma água ou bilhetes de concerto? Confesso ter saltado algumas partes do livro de marketing, daí o meu fraco entendimento na matéria.
Já agora, alguém me pode explicar como raio é possível emagrecer bebendo água com fibras? Outro capítulo que me escapou, só pode! Diga-se de passagem que se essa treta funcionar mesmo, é melhor a modelo da Luso não lhe tocar, ainda se arrisca a ficar (literalmente) só com a pele nos ossos, visto não necessitar perder nem uma grama que seja!

9 comentários:

Anónimo disse...

:)
Gostei do vosso cantinho, meninas.
Já agora, igualdade de direitos pressupõe tb o direito à incompetência, não?

la-gaffe

louca em camisa de forças disse...

isso são só desculpas...

Inês Meneses disse...

Mau, mau... Mas qualquer imagem de nudez feminina é anti-feminista?! Temos que esconder-nos?

Com franqueza, li três posts deste blog e nos três vi o mesmo: uma vontade de viver num mundo em que as mulheres estejam ocultas e "protegidas" da rua e do mundo. Não é o meu feminismo. Mais, lembra-me muito o mundo do Portugal do Estado Novo tal como as mulheres mais velhas o descrevem. Como sabemos, era um país onde os direitos das mulheres estavam bem salvaguardados.

Vanessa disse...

O pior estava a aguardar nos recantos macabros do metropolitano -passo solenemente, olho como quem não quer a coisa. O quê? O que é que caiu? Fiquei com o queixo estatelado no chão tal foi a brutalidade que me sugava os sentidos: a nova publicidade do chupa-chups. Sabe-se do gosto que há pelas frases de ambiguos sentidos na área da publicidade, os jogos do ex/implicito...

Senhoras e senhores transeuntes, não conseguem ver sexismo naquele placard? tentem novamente.Não? E agora?

Inês Meneses disse...

Ah!, mas trocadilhos entre chupas e sexo oral são um problema de sexismo? Querem dizer-me, com todas as letras, que uma referência a sexo, oral ou outro, é uma coisa que ofende as mulheres?

Vanessa disse...

Inês, não. Ofendeu-te?Não,não ofende, portanto, a todas as mulheres.
Evidentemente que quando eu, tu ou outra qualquer pessoa debruça o olhar sobre uma spot publicitário ou o que seja, não veremos as mesmas coisas.
Eu vi sexismo, eu vi uma frase de dulpo sentido que é exuberante, que acarreta a associação linear mulher-chupar-sexo-objecto-provocar alvos masculinos.
Espero ter esclarecido o meu ponto de vista sobre o assunto, cumprimentos.

Maria Ivone disse...

Vanessa, estou plenamente de acordo contigo.
Será que não há outra forma de vender Chupa-chups? Será que não conseguiram encontrar homem competente para o lugar?
Temos mesmo e aturar isto? Porque raio são as mulheres a ocupar o lugar de objectos sexuais nos cartazes, revistas e anúncios tv? Só não vê sexismo neste género de publicidades quem tem défice de espírito crítico e julga que lá por vivermos em democracia, tudo se vale. Pior, até acham piada.

Inês Meneses disse...

Cara Vanessa (e antes de abandonar este blog de vez), continuo a não perceber o que há de sexismo na referência ao sexo oral. Estamos a presumir, à moda antiga, que as mulheres não gostam de sexo e portanto qualquer referência a sexo é uma imposição masculina? Insisto nestas coisas porque acho que às vezes caímos com facilidade na armadilha de, com boa intenção, reproduzir estas visões das coisas. Bom. Como disse, não gastarei mais latim por estes lados, caso queira continuar a conversa estou no meu email (ines_meneses@yahoo.co.uk), seria um prazer.

Inês Meneses disse...

E, por fim, Ivone, sim, temos que aturar isto, como os machistas terão que aturar discursos feministas: chama-se democracia. Podemos, claro, escolher não perder muito tempo a olhar para aquilo de que não gostamos ou para que, mais simplesmente, não temos paciência. É o caso comigo e este blog.