9.6.06

Kick it ! Berlin

9 de Junho - Munique - Abertura do Mundial de Futebol: Alemanha - Costa Rica (4-2)

9 de Junho - Bruxelas - Manifestação contra a mercantilização e exploração das mulheres no Mundial da Alemanha, no contexto da campanha KICK IT ! BERLIN lançada por uma plataforma que reúne cerca de 30 organizações alemãs.


Tradução do cartaz:

"Porquê acções contra o campeonato de futebol masculino na Alemanha?
De 9 de Junho a 9 de Julho, o campeonato de futebol masculino irá decorrer na Alemanha. Vendido como grande espectáculo desportivo, é antes de mais um espectáculo nacionalista e comercial. Os jogos de futebol são muitas vezes excessos alcoólicos e machistas. As autoridades alemães querem controlar todos os excessos estabelecendo zonas de alta segurança à volta dos estádios. Também preveram megabordéis e cabines para as "necessidades" dos homens excitados por este grande espectáculo. Prevê-se ainda a participação de militares alemães para a segurança. É a guerra, então? Sim, mas vestida como uma festa - uns consomem (álcool, jogos, mulheres), outr@s sofrem (violações, ataques contra estrangeir@s, milhares de contratos precários a 1 euro/hora, redução dos direitos democráticos, militarização...)"

"Kick control" - contra a mania securitária e o estado de vigilância total;
"Kick capitalism" - contra a neoliberalização e a miséria social;
"Kick commerce" - contra a comercialização e a reestruturação da cidade;
"Kick racism" - contra o nacionalismo e o racismo;
"Kick sexism" - contra o sexismo, o machismo, a homofobia e o patriarcado."

Mobilização também em França onde activistas recolheram, à porta do Stade de France, assinaturas para a petição "Comprar sexo não é um desporto".

Simone Bernier da organização Femmes Solidaires comenta: "A prostituição é o terceiro negócio a nível mundial a seguir à droga. Está-se a legalizar a violência contra as mulheres a grande escala. Trata-se sobretudo de mulheres de Leste sem documentos, a quem a venda do seu corpo é o único horizonte proposto."

Ernestine Ronai do Observatório contra as Violências contra as Mulheres acrescenta: "Temos de saber que Europa queremos! Nos jogos Olimpícos de Atenas já havia 20 000 prostitutas e agora vai ser o dobro. A progressão é exponencial, é preciso parar este movimento. É importante que sejam os apoiantes, os potenciais clientes, a dizer stop." (www.humanite.presse.fr - 30/05/06)

Mobilização ainda das deputadas socialistas europeias que entregaram ontem ao comissário europeu de Segurança, Liberdade e Justiça, Franco Frattini, a petição Celebrate the World Cup - Fight Sexual Slavery, assinada por mais de 23 mil pessoas, contra a falta de actuação da União Europeia para evitar a prostituição forçada no Mundial da Alemanha.

O último Relatório Anual sobre Tráfico de Pessoas do Departamento de Estado dos Estados Unidos, divulgado esta semana, salienta a condescência da Alemanha com o tráfico de "escrav@s do sexo" e trabalhador@s forçad@s. É ponto de passagem e país de destino do tráfico de seres humanos, nomeadamente para fins de exploração sexual. (www.24horasnews.com.br - 05/06/06)

No mesmo relatório consta que "Portugal não castiga adequadamente os responsáveis pelo tráfico humano nem tem dados estatísticos disponíveis sobre este fenómeno". (DN - 08/06/06)
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3 comentários:

Madame Buterfly disse...

Não condeno moralmente a prostituição e acho que é um trabalho que deveria ter os mesmos direitos que todos os outros...a questão para mim só se coloca aliás ao nível dos direitos...gostava de perceber melhor a posição do colectivo feminista em relação à questão da prostituição...são abolicionistas?
é que há muitas formas de as feministas olharem para as questões do sexo e da sexualidade...

Anónimo disse...

Tanto a prostituição como a construção civil, não são duas formas de exploração do corpo?Eu penso que o tráfico de pessoas deve ser sempre condenado,seja ele para o que for.
Penso que a victimização das mulheres que se prostituem pelo facto de trabalharem com o seu corpo é uma visão afuniladora da realidade da prostituição, o que eu acho importante neste momento é dar direitos, sim, a essas mulheres para trabalharem em segurança e em saúde, por que não um sindicato de trabalhadoras do sexo?

Taxista Feminista disse...

Car@ madame buterfly,

Já alguém nos perguntou o que achávamos da prostituição e eu respondi num comment a este post. Reproduzo-o aqui.
«Já falámos da questão da prostituição várias vezes e as opiniões entre nós são muito variadas, por vezes antagónicas. Há quem esteja cert@ da sua posição e quem tenha dificuldade em assumir uma posição. Há quem defenda certos modelos de regulamentação da prostituição e quem os rejeite totalmente. Portanto, não esperem de nós uma posição única e "oficial" - não a temos nem poderemos ter nunca, pois somos um grupo muito diverso.

Posso, a título pessoal, dizer-vos que me tenho informado sobre o tema da prostituição ao longo dos últimos anos e que a informação disponível é tão vasta (e por vezes contraditória) que cada vez que a exploro fico com mais perguntas do que respostas.

O modelo sueco de criminalização da procura, (ie, de clientes de prostituição), implementado em 1999, tem dado que falar e tem sido considerado, em particular nos países nórdicos e bálticos, como o mais eficaz modelo de enquadramento legal da prostituição e muit@s têm salientado os seus efeitos positivos (como por exemplo aqui. No entanto, há muitas pessoas/grupos que se opõem a este modelo (ver um testemunho de uma prostituta aqui) e vários estudos têm demonstrado que o modelo de criminalização da procura tem efeitos muito negativos (como se lê aqui).

O Sindicato Internacional de Trabalhadoras/es do sexo, fundado em Inglaterra pela portuguesa Ana Lopes, reivindica um modelo diferente, o da descriminalização de todos os aspectos da indústria do sexo. As suas reivindicações podem ser lidas aqui e a sua análise sobre as questões centrais da regulamentação da prostituição podem ser consultadas aqui.

Sugiro também que leiam esta notícia sobre o caso de uma mulher alemã (país em que se adoptou o modelo de legalização da prostituição) que esteve em risco de perder o subsídio de desemprego por não ter aceite uma proposta de trabalho como prostituta que lhe foi enviada pelo centro de emprego.

Recomendo ainda que visitem o blog Feministactual que tem entrevistas muito interessantes com mulheres e homens prostitut@s.»

De qualquer forma, há que recordar que uma grande parte das prostitutas que estão na Alemanha durante o Mundial se encontram numa situação de prostituição forçada, associada a redes internacionais de tráfico para fins de exploração sexual.