2.8.06

Homens autênticos

O assassinato da Gisberta veio trazer à luz de maneira dramática uma das faces mais tenebrosas e extremas da masculinidade, que se constrói pela homofobia e pela transfobia, mas também pela misoginia. Cujos ritos de passagem demasiadas vezes assumem formas parecidas à que assumiu a violentação da Gisberta.

Porque afinal um "Homem autêntico" não pode admitir a existência de aberrações como a Gisberta. Aqueles rapazes, educados sem dúvida por "verdadeiros Homens" para serem "Homens a sério", aprenderam a detestar e a resistir contra tudo aquilo que ela representa.

Ao que parece, e porque precisamos é de "homens a sério", os custos dessa masculinidade são aceitáveis, até necessários.
a

10 comentários:

ana disse...

o mais irónico nisto tudo é que ninguém se questionou ainda sobre a coincidência(?) de se tratarem só de rapazes. será que ninguém se lembrou de perguntar porque é que foram rapazes a cometer este crime e não raparigas?

Alan disse...

E junta o facto da vitima ser de origem brasileira...

Paulo Pinto disse...

Um insulto! Este post é um insulto aos homens, uma ofensa imbecil, uma prova de idiotice descarada! Sabem que mais? Aqueles estereótipos acerca da inferioridade intelectual das mulheres e contra os quais as verdadeiras feministas lutam? Pois quem escreveu isto merece-os todos, com distinção e louvor! E tenho dito!

Anónimo disse...

ó senhor paulo pinto, quem lhe diz a si que quem escreveu este post é uma rapariga? por falar em estereótipos...

abc disse...

Oh Paulo, não vês que quem escreveu o post não está a criticar os homens mas sim as ideias que na nossa sociedade existem acerca do que é "um Homem a sério"?!
Não vês que não está a dizer que todos os homens são misóginos ou homofóbicos ou transfóbicos ou violentos, mas sim que muitas vezes há a ideia de que uma forma de demonstrar a masculinidade é exibir que se é forte ou que se tem desprezo por certos tipos de pessoas "diferentes"?

Iris disse...

No sentido deste post e a propósito de "homens a sério", um filme: Boys Don't Cry.
A não perder!

missy disse...

Já agora, alguém se apercebeu que os jovens foram sentenciados com uma pena de 13 meses (em 24 meses possíveis)? Se a vítima tivesse um perfil (social e sexual) diferente, a pena teria sido idêntica??? Acredito que não. Isto mostra bem o estado dos direitos humanos em Portugal!

Anónimo disse...

É bem mais grave que tudo o que dizem. É uma vida humana que foi destruida, um grupo de rapazes que vão perceber que afinal não faz mal matar se a pessoa for "diferente" e que o crime compensa. É uma violação dos direitos humanos, e, por parte do tribunal, uma discriminação sem precedentes. O crime devia ser agravado por ser um crime de ódio e não perdoado. Mas a mesma atitude se tem e relação aos violadores: "Coitado do homem! Não lhe vão estragar a vida por causa disto." Isto é a vida estragada de uma mulher. Dois pesos, duas medidas. Nestas alturas tenho vergonha de ser portuguesa. "Coitados dos putos" - imaginem a vida que vão ter com este crime perdoado, que valores, que atitudes, que comportamentos!!!!!! Na próxima regam uma mulher com gasolina e pegam-lhe fogo como fez um "bom rapaz" esta semana.

FuckItAll disse...

Se vocês vêem aqui uma questão de feminismo, são mais incapazes de ver seja o que for do que eu pensava... Aposto que se se tratassem de meninas de um colégio de freiras a sentença caminharia para o mesmo lado. Ou não acham? Não percebem que a injustiça aqui segue outros pârametros?

Taxista Feminista disse...

Porque entendemos o feminismo como uma luta contra o sexismo e contra a homofobia (e, neste caso, também transfobia) - basta ler o texto que está logo no título do blog - sim, vemos este caso como uma questão de feminismo.

Porque acreditamos que ninguém deve ser discriminad@, humilhad@, e muito menos violentad@ e mort@ por ser considerad@ uma "aberração" que não encaixa nas ideias dominantes sobre o que é um "homem autêntico" ou uma "mulher autêntica", sim, vemos este caso como uma questão de feminismo.

A questão feminista aqui não é o facto de os criminosos serem do sexo masculino - é o facto de o seu crime ser considerado aceitável porque a Gisberta é uma "aberração" e porque é normal que os estes "pobres meninos", que são "homens a sério" (isto é, que não são "homens com mamas", como eles a descreviam), a achem repugnante e merecedora de um destino destes.