17.1.07

Verdade seja dita

Noticia o Diário de Notícias do Funchal que : "Albino Aroso, ex-secretário de Estado da Saúde de Cavaco Silva juntou a sua voz a favor do Sim no referendo, considerando que o que está em causa é uma questão jurídica e que a actual lei "é uma demonstração do atraso da sociedade portuguesa, que castiga a mulher e não o homem responsável pela gravidez indesejada"."

Há muitos séculos que não é segredo para ninguém: a fecundação, e consequentemente o feto, advêm de uma relação entre uma mulher e.. um homem!
Mas então, será que os adjectivos pecadora, leviana, devassa e criminosa também se conjugam no masculino? Que tem a justiça portuguesa a dizer sobre isto?
E já agora também queremos saber o que os movimentos do NÃO têm a dizer sobre isto. Quais as consequências de um NÃO hipócrita e irresponsável? Julgamentos (pagos com os nossos impostos!), exposição da vida privada na praça pública, humilhação, direitos limitados (p.ex. não poder sair do país) enquanto decorre o processo (isto é: anos), multa, pena suspensa ou até prisão... segundo consta no Código Penal.
Julgam que votar NÃO vai diminuir o número de gravidezes indesejadas?
Julgam que votar NÃO vai acabar com os abortos clandestinos?
Numa coisa, concordo com vocês, votar NÃO vai destacar Portugal no mapa da Europa! Infelizmente será pela negativa. Mas a isso já estamos habituad@s, não é verdade?

Concluindo: Deus deu-nos uma cabeça, não se esqueçam de usá-la. E dia 11 de Fevereiro, não a deixem em casa.

7 comentários:

Anónimo disse...

o SIM está a perder o debate

Vejam http://anti-aborto.blogspot.com/

Anónimo disse...

Bom post da Joystick no Spectrum.

Vejam www.spectrum.weblog.com.pt

O Sim ganha se conseguir mobilização e entusiasmo no combate à abstenção.

Bom blog, o vosso.

Saboteur

qimladen disse...

Voltei a passar por cá e constato que infelizmente continua tudo na mesma…
Que a “Barriguinha” não respondeu a nenhuma das minhas questões (desviou as respostas para outros assuntos a que me referirei no final deste comentário), que o Blogue continua a viver de considerações superficiais e panfletárias sobre a “IVG” e de caricaturas e insultos sobre os defensores do Não ao referendo, sem apresentar nenhuma base de argumentação para o SIM !

Assim sendo, vou, desta vez, expor a defesa das minhas opiniões sobre este assunto com uma metáfora a propósito do referendo sobre a “Eliminação Voluntária de uma Forma Humana de Vida até às 10 semanas ”, que eu designo assim por definir muito mais objectivamente o acto que estamos a apreciar! Consiste numa história com 4 versões:

1 - Imaginemos que alguém conduz um automóvel e um velhinho de 80 anos, com um cancro em fase terminal e demência senil por arteriosclerose, inadvertidamente se coloca no meio da estrada e é atropelado mortalmente por esse automóvel (é pouco relevante se é velho ou não, e se é também, ou não, saudável… mas acho que neste caso estas características proporcionam uma reflexão ainda mais profunda sobre o tema!...).

2 – O condutor do automóvel apercebe-se que uma criança que viaja consigo no banco de trás tem uma abelha na cara… assusta-se, instintivamente desconcentra-se da condução para sacudir a abelha e atropela o mesmo velhinho do caso 1, mas que desta vez tinha iniciado a travessia da estrada duma maneira perfeitamente normal.

3 – O automóvel dos casos anteriores já há algum tempo que vinha a dar problemas quanto à eficácia e fiabilidade nas travagens…O condutor sabia, mas por esta ou aquela razão adiava sistematicamente a reparação aos travões.
O mesmo velhinho dos casos anteriores iniciou a travessia da rua e logo por azar o condutor não conseguiu evitar o atropelamento por uma “fatal” falha dos travões!...

4 – O condutor ia atrasado para o cinema e depara-se com um velhinho (o mesmo…) a iniciar o atravessamento da rua, o condutor apercebe-se do facto, pensa que tem tempo para passar à frente dele, mas, também “logo por azar”, fez mal os cálculos e o pobre velhinho lá foi, também ele, eliminado.

MORAL DA HISTÓRIA
Há alguém exceptuando os sádicos que fique contente com um caso de atropelamento?
E no entanto perante estes casos perfeitamente plausíveis alguém no seu perfeito juízo teria a ideia de propor um referendo para despenalizar certos atropelamentos?

Admito que quem decida eliminar voluntariamente uma Forma Humana de Vida, que lhe está directamente ligada, já sofra só pelo acto em si, uma punição suficientemente grande para não ser submetida a julgamentos e eventualmente ser condenada a uma pena de prisão. Mas tal como na história acima, há diversos tipos de atitude perante uma gravidez e logicamente, fora os casos que eu apelido de legítima defesa e que podem pôr em causa saúde física ou psíquica da mãe, da criança ou de alguém dentro do agregado familiar, deveria continuar a haver vários tipos de medidas dissuasoras para casos inadmissíveis de irresponsabilidade, displicência e egoísmos de várias naturezas de que ninguém pode negar a existência. Essas medidas poderiam passar pela aplicação de multas e obrigatoriedade de frequência de cursos de planeamento familiar, consultas na área da assistência social, psicologia, psiquiatria ou ginecologia e que tal como as outras multas poderiam ser contestadas com fundamentação adequada que posteriormente seria apreciada por alguma entidade designada para o efeito.

Resumindo, volto a insistir que a pergunta do referendo poderia e deveria ser: - concorda com a descriminalização da “Eliminação de uma Forma Humana de Vida até às 10 semanas?
Mas nunca, “se concorda com a despenalização…”, pela simples razão de que a primeira pergunta pressupõe o fim da aplicação de penas de prisão para os autores, o que seria muito mais racional e justo. A segunda liberaliza completamente a prática, o que do meu ponto de vista é o que está em causa no referendo, e para mim é inaceitável por uma questão de princípios e hierarquia de valores que acabo de demonstrar e que espero que vos convençam!

Quanto à responsabilização do homem pela paternidade (que hoje com a existência de testes de ADN não é difícil de comprovar) e exigência de cumprimento dos respectivos deveres que lhe são inerentes, concordo a 100% com a sua implementação. Se houver um referendo nesse sentido voto sim “de caras”! Podem começar a reunir assinaturas…
(Se o homem não confia nos métodos contraceptivos da mulher ele que use os seus…)
Com isto penso responder à “Barriguinha”…

Talvez até à próxima. No referendo usem a cabeça e a sensibilidade se as tiverem,
Qimladen

Sibila disse...

Simpático da tua parte imaginar que as mulheres, pelo menos estas, teram cabeça e sensibilidade. Pelas tuas palavras parece que nos julgas um útero com pernas. O teu exemplo é para o idiota.Pôr outras pessoas a decidir do aborto, as comissões de especialistas, é o que já foi feito e deu como resultado tornarem-se clandestinos abortos que deveriam ser legais.Querer que os homens se responsabilizem pela contracepção, também eu gostava, mas não acontece. Cai na real. Que tal confiares na decisão em consciência das mulheres?

Sandra disse...

Boa tarde!
Em primeiro lugar parabens pelo excelente blog.
Em segundo lugar, "atropelamento de velhinhos"??? Sem ofensa, mas que disparate é este? O que é que o aborto de embrião até às 10 semanas tem a haver com o atropelamento de um velhinho, com ou sem cancro, senil ou não? Nada! Isto quanto muito poderia ter a haver com a eutanasia.
"Há alguém exceptuando os sádicos que fique contente com um caso de atropelamento?" Que pergunta é esta? Não tem cabimento nenhum! Já se vi alguém fazer uma festa porque fez um aborto? Fazer um aborto não tem nada a haver com contentamento!
Deixe-me que lhe diga, uma gravidez indesejada e obrigada põe em causa a saúde física e psíquica da mãe e da criança.
Quanto há responsabilização do homem, isso já é obrigatório na nossa lei, pelo que não é necessário referendo.
Cumprimentos,
Sandra

Barriguita disse...

Para já, caro Quimladen, não sou "Barriguinha" e sim "Barriguita". Vejo que para além de problemas de interpretação, sofre de dislexia.
Em relação ao seu comentário tosco e disparatado, a Sandra e a Sibila já lhe responderam muito bem, mas já que fala de atropelamentos, também lhe digo que quando há acidentes de viação, vão duas mulheres no carro, as duas morrem, e uma delas estaria grávida, a notícia é sempre "morreram duas pessoas, não três". Quanto muito poderão dizer "uma das vítimas estava grávida". Logo, não me venha falar de vida às 10 semanas, que não é por aí. Porque quanto a isso, não somos obrigad@s a termos a mesma concepção de vida, e repito, não é nada disso que está em causa neste referendo. O que está em causa é a mudança da actual lei. O facto é que a lei actualmente em vigor é ineficaz e empurra as mulheres para o aborto clandestino. Abortos feitos em condições medicamente precárias, que podem ter consequências nocivas para a saúde da mulher. E isso, para além da pena de prisão que está prevista na actual lei, não pode ser mais permitido. Se este lei for despenalizada não vai obrigar nenhuma mulher a abortar, mas vai-lhe dar essa escolha, sem ser julgado ou condenada por isso. Num Estado laico e democrático as decisões devem ser respeitadas. E não julgadas. Se as mulheres puderem abortar em estabelecimentos de saúde legalmente autorizados também passarão a ter acesso ao sistema de saúde, logo, a mais informação. O aborto clandestino não permite isso. Sabemos bem, que muitas mulheres fazem abortos clandestinos, por exemplo, recorrendo a agulhas de croché, ou tomando comprimidos atrás de comprimidos, sofrendo de hemorragias, mas que evitam ir ao Hospital, pois correm o risco de ser denunciadas. E despenalizar o aborto não é invalidar o papel da educação sexual ou do planeamento familiar. Uma coisa não invalida a outra. E é curioso que venha com essa conversa, pois nada, NADA, mudou desde 98. É também engraçado os dos NÃO agora debaterem-se pela manutenção desta lei, quando em 98 nem esta lei queriam... Ai, essa memória selectiva.
Não vou continuar em debater-me consigo, pois nenhum de nós irá mudar de opinião. E se o perturba tanto os nossos comentários, opiniões e posições, esteja à vontade de deixar de nos visitar. Não guardamos ressentimentos.

Iris disse...

Ó Quimladen,

"considerações superficiais e panfletárias sobre a IVG”
aplica-se perfeitamente ao seu próprio discurso, parabéns, não teria conseguido descrevê-lo melhor!

Gosta de anedotas? Aqui vai uma: qual a diferença entre um ovo e um frango? suponho que come ovos.. e no entanto, quando o faz, não diz que está a matar um pintainho, certo? Então guarde o discurso da sensibilidade para outras plateias!

E pare de levar o debate para onde ele não se encontra! No entanto, foi uma boa tentativa de desvio das atenções.
Dica: em caso de dúvidas sobre a questão à qual terá de responder no dia 11.02, não hesite em reler a pergunta do referendo!

Talvez até à próxima.