











"Não é novidade que a representação da mulher nos média, particularmente na publicidade, é estereotipada. São apresentadas num contexto doméstico e/ou agindo segundo os papéis de género tradicionais, como o de mãe, de esposa e de objecto sexual. O que é novidade é a frequência com que estas imagens são veiculadas e a intensidade do seu conteúdo.
Começando pelas posições, as mulheres são apresentadas contorcidas, em posições subalternas, vulneráveis, sem face e reduzidas a partes corporais. São objectificadas sexual e literalmente, aparecem como passivas, dependentes, como bonecas pouco inteligentes, desumanizadas, normalizadas e, claro….magras. (...)
Representações particularmente fortes e preocupantes são os temas de Medo, Violência, Violência Sexual (jogado através do chamado “Rape Myth Fantasy”- o mito de que as mulheres desejam e gostam de ser violadas, mito que parece cada vez mais estar a transpirar para fora da pornografia, onde até agora teve a sua maior expressão) e Morte.
As consequências da exposição a este tipo de representações ainda não são muito estudadas. Mas há alguns exemplos:
- A actual representação da mulher nos média tem efeito tradicionalizante, promovendo e reforçando os papéis tradicionais do género feminino. Tem também outros efeitos negativos no auto conceito, na percepção das capacidades individuais e na auto-imagem (Ford, Voli, Honeycutt, & Casey, 1998).
- O uso de modelos de tamanho médio na publicidade não só previne os efeitos negativos de modelos muito magras na auto-imagem das mulheres, como também mantém intacta a eficácia publicitária (Dittmar & Howard, 2004).
- Homens expostos a média onde a mulher é representada como objecto sexual aceitam mais facilmente atitudes de violação e de exploração sexual (Lindsey, 1997).
(...) Pela aprendizagem social, socialização e modelagem, percebemos que crescemos completamente imersos nestas representações estereotipadas. São cerca de 5000 mensagens publicitárias que recebemos no dia a dia, modelos permanentes do que é ser mulher e, concordando ou não, eles estão lá. (...)
Surge agora também outra questão: o airbrushing (aperfeiçoamento digital), presente em grande parte das mensagens publicitárias com mulheres, caracterizado por um brilho acetinado. Se antes dizíamos que “os modelos são inatingíveis”, o que diremos agora se o que vemos na publicidade não é, de facto, real, sendo produto da criatividade (ou não) de um humano brincando com um programa de computador? Click, click…agora sem sinais, click click…agora sem celulite, click click….agora com os seios maiores, click, click…e agora?"
Texto escrito e imagens recolhidas por Ana Prioste, Luana Ferreira e Ludmila Nunes
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