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23.1.07

Para professor, a lição está muito mal explicadinha...

O professor Marcelo, moderno como é, não poderia deixar de ter um site sobre o não à despenalização da interrupção voluntária da gravidez.
O professor Marcelo, vaidoso como é, tem um vídeo, com o seu estilo característico, rodeado de livros, a dar aulinhas e a dizer "Assim Não".
O professor Marcelo para professor que é, devia verificar os factos que estão no seu site, ou, pelo menos, mencionar as fontes, como por exemplo:

"Em 2005 houve 73 casos, e não milhares, de mulheres atendidas na sequência de abortos clandestinos."

"O número de abortos clandestinos está calculado em 1800 por ano."

"62% dos abortos realizados em países europeus com legislação semelhante à pretendida em Portugal, são realizados por mulheres com rendimentos familiares superiores a 65.000 euros por ano."

"6% dos abortos realizados em países europeus com legislação semelhante à pretendida em Portugal, são realizados por mulheres com rendimentos familiares inferiores a 7000 euros."

Um bom professor universitário ensina, explica, discute, relaciona, argumenta, contra-argumenta. Não impinge.
O bom professor universitário é aquele que refere fontes de pesquisa e bibliográficas.
O bom professor universitário é aquele que tem respeito por quem o ouve, não tomando @s seus alun@s como tolinh@s e não se servir do estatuto mediático e intocável do "professor de Portugal", onde basta dizer umas coisinhas, atirar uns chavões para o ar, na sua biblioteca, para que @s leig@s bebam as suas palavras como água. Como se mergulhassem na sabedoria.

Por isso, caro professor Marcelo, assim não. Não, obrigada. Não, mesmo.

11.12.06

E as asinhas começam a sair de fora

O Miguel Vale de Almeida tem razão. Os movimentos do NÃO deveriam escolher melhor os seus copywriters. Para além de não saberem utilizar correctamente a pontuação, têm alguns problemas de interpretação, usando termos erróneos na mensagem que pretendem transmitir.

Descobrimos que o movimento do Não resolveu lançar um grande concurso intitulado "Do 0 aos 9. A minha primeira morada", direccionado ao público jovem, dos seis aos dezoito anos. Escrevem eles:

"Vamos agarrar este momento para com os mais novos despertar para o início da nossa vida, explorar esta maravilha passo a passo, desde a primeira hora, semana a semana até aos nove meses aproveitando os conhecimentos científicos que hoje já temos sobre este assunto.

Vamos todos descobrir a nossa Primeira Morada. Comecem já a procurar as ecografias, as fotografias da mãe grávida e a pensar em ideias.

Vamos tirar partido desta oportunidade e incentivar os nossos filhos, amigos dos nossos filhos e outros jovens a participar e a apresentarem o que descobriram. Podem fazê-lo com uma música, com desenhos ou pinturas, com histórias, contos ou poesia e também nas formas multimédia.

Motivem já todos entre os 6 e os 18 anos para meteram mãos à obra.

Circulem para que seja uma experiência muito rica e esclarecedora.

Claro, claro, haverá fantásticos prémios."


Os fantásticos prémios, consoante a categoria da idade, são dois bilhetes para o musical “Música no Coração”, uma máquina fotográfica digital, uma aparelhagem CD/Rádio e um Home cinema. A "motivação" a que apelam não foi o termo mais adequado; "manipular" é o termo exacto.
Também me custa perceber como é que defensores tão acérrimos da moral e dos bons costumes, da vida e dos direitos das crianças, podem incentivar o trabalho infantil. Sim, porque não tenhamos dúvidas. Os desenhos do concurso dos "Do 0 aos 9. A minha primeira morada" vão servir de propaganda sensacionalista dos movimentos do Não. Vão ilustrar sites, flyers, outdoors, t-shirts, e sabe-se lá o que mais, e tudo isso a troco de "fantásticos prémios". Pois, é por isso que me desato a rir (para não vomitar) quando afirmam que vão fazer uma campanha "moderna não agressiva".