23.1.07

Nós sempre dissemos


e o Miguel Vale de Almeida é a prova disso:

"Pela parte que me toca não cedo um milímetro. Continuo feminista – isto é, alguém que acredita que a igualdade plena entre os sexos e o questionamento do género são uma questão de civilização –; e continuo radicalmente materialista e liberal – alguém que acredita que, apesar dos vários determinismos sociais, devemos pugnar pela autonomia e dignidade plenas das Pessoas, desde logo através da garantia da sua capacidade e liberdade de escolha"

Excerto do excelente artigo que escreveu na última edição do "Le Monde Diplomatique". Texto integral e on-line aqui.

1 comentário:

(12) comentários publicados originalmente disse...

Gracinda disse...
Há aqui uns cartoons sobre o referendo à despenalização do aborto:
Cartoon 1
Cartoon 2

Pessoalmente, acho que estão fabulosos! Força "SIM"! Pela conquista da justiça para as mulheres!
23/1/07 10:09

MM disse...
Concordo plenamente :)
23/1/07 10:53

Deija disse...
Concordo! Os homens têm q procurar perceber e reconhecer suas atitudes e seus valores. Pensar q tratar uma mulher de igaul é apenas a maneira correta de demontrar valores e desenvolver a sociedade q vivemos.
23/1/07 15:11

purplegirl disse...
http://www.youtube.com/watch?v=RScNI0nVXX4

É um pequeno vídeo sobre uma outra forma de feminismo. Uma alternativa, uma perspectiva diferente.

24/1/07 16:21
Anónimo disse...
"(...)devemos pugnar pela autonomia e dignidade plenas das Pessoas(...)". Fetos incluídos?

Daniel
24/1/07 21:28

qimladen disse...
Concordo plenamente com a Gracinda, os “cartoons” estão fabulosos! São aliás extraordinariamente eloquentes: - O primeiro alude ao negócio que se avizinha com a prática “legal” do aborto (cada vez suspeito mais que esta pergunta do referendo sobre a liberalização do aborto tem a “mãozinha” de algum lóbi da área da saúde…). O segundo, tristemente dramático e macabro, porque expressa a impotência duma vida que vai ser eliminada (“enforcada”) apenas porque possui um cordão umbilical que a liga à mãe…
Paradoxalmente a Gracinda diz “Força SIM !”!? Será por sarcasmo ?

Ainda a este propósito mas sem ter directamente a ver com o comentário da Gracinda, não entendo como é que uma pessoa que se diz feminista pode ser pelo “sim” e em vez de agradecer a dádiva da natureza que é poder ser mãe, ainda encara a gravidez como se fosse um fardo e a ridiculariza através da caricatura, como também por vezes se vê neste blogue, …
Por outro lado como é que alguém que preconiza a igualdade de direitos entre homem e mulher despreza os direitos do pai em relação aos destinos dum feto ? Não vejo ninguém contestar os direitos de autor em relação a uma obra de arte, tecnológica ou literária, esteja ela onde estiver. No caso do feto, mais do que uma forma de direitos de autor existe um código genético, ou seja uma extensão do próprio pai. Certamente que a mãe para além de “hospedeira” através do seu corpo, é também “co-autora” do feto, mas isso dar-lhe-á o direito de ignorar os direitos do(s) outro(s) ?

À mulher ainda se desculpa uma certa parcialidade à volta do tema do aborto mas aos legisladores não. As leis não podem ser parciais!...Força NÃO!
25/1/07 13:42

Lolita disse...
Pois, para ti, uma mulher à séria é uma parola como esta, não? Dessas que aceitam a sua condição de "hospedeiras".
O destino da mulher não é ser mãe, só se ela quiser. Ninguém tem nada a ver com isso, ninguém tem o direito de a julgar, de a penalizar. Falas das mulheres como se elas não fossem capazes de tomar decisões. Não percebes o feminismo porque não sabes o que é o feminismo. Porque não és um feminista. Um feminista não palrreia as coisas condescendentes que pregas aqui. Aliás, pregas na porta errada. Porque nada com o que digas aqui vai mudar o nosso sentido voto, assim como grande parte d@s leitor@s deste blog.

Se tens tanto medo que o "SIM" ganhe no próximo referendo, se calhar, devias perder as tuas energias a falar com @s possíveis indecis@s. Mas não, na atitude arrogante tão típica de a maior parte dos anti-escolha, preferes vir para aqui dizer baboseiras e encher a caixa de comentários a fazer propaganda pelo Não (aliás, característica machista de dominar o espaço público e social). Se achas que é assim que se ganha o referendo estás enganado. Uma coisa que é perfeitamente visível no web-space é que quem lê blogs quer pelo Não, quer pelo SIM, são pessoas, que à partida estão muito bem definidas, quanto ao seu sentido de voto.

Podes continuar a comentar por aqui, nem dúvido que o continues a fazer, pois a atitude machista de dominar o espaço é mais forte que tu. Os comentário servem para comentar o post, e não para comentar os comentários, nem os comentários dos comentários. Se não percebes o feminismo, lê o texto do Miguel Vale de Almeida. És livre de não concordar, mas ao menos, se o teu intuito é fazer propaganda pelo Não, comenta, de uma forma construtiva, o que por aqui se fala, e não venhas para aqui com o argumentário que vos mandam fixar. Ou então, tem a inteligência de aplicar esse argumentário aos posts publicados.
25/1/07 15:22

cibernauta disse...
Ah, então agora quem é mãe e de muitos filhos é uma parola? Não é moderno, é? É isto que o teu feminismo defende, lolita?
25/1/07 19:48

qimladen disse...
Minh@ C@r@ Lolit@,

Miguel Vale de Almeida escreve:
- "Continuo feminista – isto é, alguém que acredita que a igualdade plena entre os sexos e o questionamento do género são uma questão de civilização..."
O feto resulta da acção conjunta de 2 pessoas, de um homem e de uma mulher! A "igualdade plena entre os sexos" estipula que seja apenas, e só, a mulher a decidir o seu destino??? É a isso que se chama igualdade???

O seu comentário por acaso é um comentário ao "post" ou é um comentário ao meu comentário que por acaso até se refere ao "post"???

Não percebe que eu utilizo a palavra "hospedeira" em sentido figurado para rebater o argumento tantas vezes usado por feministas pouco espertos, que o feto é propriedade da mulher porque é no seu corpo que ele se desenvolve???

Se quer continuar a publicar "posts" só para fãs e amorfos sem espírito crítico, convide os amigos e faça-o em sua casa, de outro modo sujeite-se aos comentários quer eles lhe agradem ou não! Quanto ao que eu devo fazer e aonde, sou eu que decido, ou tambem isso só as mulheres é que sabem???
25/1/07 22:35

joão lopes disse...
Caro qimladen,

Já por várias vezes trouxe aqui esse argumento de "e o pai, o pai não decide? O pai também tem de decidir!". Essa questão já foi aqui abordada por outras pessoas, precisamente na sequência de um comentário seu desse tipo. Mas como continua a convocar esse discurso, decidi dar o meu próprio contributo.

Neste momento, há uma desigualdade de género na lei. Sim, tem razão, é preciso um homem para fazer uma gravidez. Mas neste momento o que diz na lei é que a mulher (e não o homem) é que é julgada e, potencialmente, presa. Os parceiros das mulheres que nos últimos anos foram a tribunal em Portugal não estiveram no banco dos reús.

Para criar uma situação de igualdade, das duas uma: ou se julga e prende também o homem (tão responsável pela gravidez, teoricamente, como a mulher); ou não se julga e prende ninguém, nem o homem nem a mulher. Votar "Não" no referendo não ajuda, de forma alguma, a criar igualdade entre mulheres e homens na legislação sobre aborto. Apenas mantém a desigualdade que já existe - isto é, mulheres que abortam a ser perseguidas judicialmente, enquanto os homens que (como disse, e muito bem!) também contribuíram para a gravidez (e provavelmente para a decisão de abortar) não precisam de recear ser perseguidos.

Claro que pode dizer "então e se a mulher quiser abortar e o homem não?". Mas esse tipo de situação também já acontece agora, sendo o aborto um crime, e não é mantê-lo um crime que vai ajudar a fazer desaparecer para sempre essas situações de desacordo entre a mulher e o homem!

Por favor, em nome de um debate esclarecido, responsável e justo, pare de usar o argumento "e o pai, não decide?". Pela forma como fala da questão do pai, uma pessoa é levada a pensar que a pergunta do referendo é "concorda com a interrupção (...) quando feita a pedido da mulher, sem ela consultar o parceiro e impedindo-o de expressar qualquer opinião, em estabelecimento (...)?"

Ora, a pergunta não é essa. O referendo não diz nada sobre se a mulher toma a decisão com o parceiro, sem ele, com a sua melhor amiga ou com Deus! Não obriga as mulheres a decidir sozinhas, nem impede os homens de participar nessa decisão. Diz apenas que essa decisão - seja ela tomada com quem for - não precisa de ser feita na clandestinidade e com receio de perseguição judicial. Votar sim não é defender que o homem deve ser excluído da decisão de interromper uma gravidez! É defender que ninguém - seja mulher ou homem - deve ir preso por causa dessa decisão. É assim tão difícil ver isso?!
26/1/07 01:50

Anónimo disse...
O REFERENDO EM DIÁLOGO


Estamos todos de acordo quanto aos problemas:

- Somos CONTRA O ABORTO;
- Somos A FAVOR DA AJUDA ÀS MULHERES;
- Reconhecemos a existência de um PROBLEMA DE SAÚDE PÚBLICA;
- Reconhecemos a existência de um PROBLEMA DE CLANDESTINIDADE.

Mas divergimos na terapia…

O Sim:
- A sociedade falhou! Não conseguimos tomar medidas de prevenção e de apoio às mulheres para que o número de abortos diminua! Então sejamos pragmáticos porque o problema urge. A solução é deixá-las abortar mas em condições de segurança e de apoio à sua saúde. E não as devemos responsabilizar visto serem vítimas.
O Não:
- A sociedade falhou até hoje! Temos de fazer com que não continue a falhar porque não nos conformamos com a ideia de que somos incapazes de ajudar as mulheres, seja com medidas de prevenção, seja com ajudas ao acolhimento dos seus filhos. As mulheres são vítimas duma situação criada por elas mas mais vítimas serão os seus filhos mortos.
O Sim:
- Filhos?! Não sei… será que podemos considerá-los como tal? Bom, de qualquer forma o que pensamos sobre isso é irrelevante. O importante é o foco nas mulheres e a resolução dos seus problemas.
O Não:
- Irrelevante? Mas então como podemos avaliar se devemos penalizar ou não se não sabemos o que está em causa? Deixemo-nos de tretas, bem sabemos que é uma vida humana pois que outra coisa poderia ser?!
O Sim:
- Lá fora, na Europa, a maioria dos países despenalizou o aborto. Só nós é que continuamos nesta situação…
O Não:
- O que outros países fizeram é lá com eles. Temos de pensar pela nossa cabeça ou não seremos capazes disso? Claro que devemos estudar o que se passou noutros sítios, perceber o que funcionou e se poderia ser aplicado cá, pois não temos de reinventar a roda, mas a nossa solução terá de ser encontrada por nós e não necessariamente decalcada da de outros países. Isto é válido em qualquer domínio da vida.
O Sim:
- Mas eles são mais evoluídos que nós. Estamos a falar da Dinamarca, Suécia, França, Alemanha e por aí fora… É indiscutível a sua superioridade económica, social, cultural, civilizacional…
O Não:
- Pois… também os Estados Unidos da América são só uma das maiores democracias, a nação mais poderosa do mundo e a mais evoluída tecnológica e economicamente e no entanto admite a pena de morte, coisa de que nos orgulhamos ter sido dos primeiros a abolir. E isso de superioridade civilizacional é sempre discutível e relativo. Lá pelos países nórdicos parece que a taxa de suicídio é qualquer coisa de alarmante.
O Sim:
- Seja como for, pensemos nas mulheres e no seu drama, porque é de um verdadeiro drama que se trata. As mulheres vivem-no sem qualquer apoio e para o resolverem ainda tem de correr risco de vida abortando sem condições.
O Não:
- É realmente um drama!… Mas antes do aborto, trata-se de um drama possível de ser resolvido, ou pelo menos atenuado, desde que a sociedade e a mulher se disponham a isso, já depois do aborto, e por mais que a sociedade ou a mulher tentem, não há nada que resolva o drama que tantas vezes se prolonga pela vida fora… a ideia de que se deu cabo duma vida não deve ser pêra doce…
O Sim:
- Tudo bem, mas continuamos a achar que não faz sentido penalizar as mulheres pois não ganhamos nada com isso e só as enxovalhamos. É uma vergonha por que tem de passar. Já não basta o drama que estão a viver e ainda por cima temos de as perseguir?!
O Não:
- De facto precisam mais de ajuda do que de perseguição… Mas e aquelas que o fizeram por puro capricho e comodismo? As que tinham condições económicas, sociais, familiares, etc, mas que mataram o seu filho porque não lhes dava jeito, não fazia parte do seu projecto de vida, atrapalhava-lhes o futuro? Não deverão ser responsabilizadas?
O Sim:
- Ora! E as que não tem condições mínimas? É dessas que estamos a falar!
O Não:
- Pois… e quem avalia isso? Quem deverá avaliar cada situação a fundo para se saber se estamos na presença de alguém que agiu por simples capricho ou de alguém que não via outra saída tal era difícil a sua situação? Quem deverá ponderar os prós e contras? Quem tem a função de analisar até onde vai, ou não, a irresponsabilidade da mulher em questão? Parece-me que numa sociedade minimamente evoluída este é um assunto para os Tribunais resolverem, pois é a eles que cabe analisar todas as circunstâncias atenuantes. Normalmente recorrendo à opinião de especialistas em psicologia, sociologia, etc, etc.
O Sim:
- Não me falem em Tribunais! Todos sabemos a eficácia que tem, o tempo que demoram a decidir, a exposição pública em que colocam os arguidos que mais tarde até podem vir a ser dados como inocentes!
O Não:
- Claro, por essas e outras razões é que temos de os melhorar. É esse o nosso papel enquanto sociedade. Ou então mais vale não termos Tribunais, se não servem para nada.
O Sim:
- Só que entretanto o problema está aí e mexer no sistema judicial leva muito tempo! Não podemos esperar tanto tempo assim… Á que despenalizar e capacitar o Sistema Nacional de Saúde, apetrechá-lo com recursos materiais e humanos, organizá-lo, pô-lo a funcionar eficazmente. É para isso que servem os nossos impostos, ou não?
O Não:
- É, servem para isso e muito mais… Mas se não acreditamos ser capazes de pôr a Justiça melhor como vamos acreditar conseguir pôr o Sistema Nacional de Saúde em condições? Em tempo útil, claro…
O Sim:
- Isso é um problema que cabe ao Governo tratar. Nós temos de lhes dar essa autorização votando SIM no referendo.
O Não:
- Prefiro votar NÃO, dando assim autorização ao Governo para investir os nossos impostos na prevenção das causas que levam ao aborto, no apoio às mulheres e acolhimento aos seus filhos, no sistema de adopção, na melhoria do sistema judicial, e não na matança livre dos membros da sociedade que lhes cabe defender.
O Sim:
- Tudo isso é muito bonito mas era mais rápida a nossa solução. Até porque as fracas condições no Sistema Nacional de Saúde são sempre melhores do que condições nenhumas na clandestinidade. E sempre poderíamos, numa fase inicial enquanto fornecemos condições ao nosso Sistema de Saúde, recorrer a convenções com Espanha, pois eles estão já aqui ao pé e mais habituados a tratar destas questões.
O Não:
- Já reparaste que de repente estamos a discutir qual a forma mais eficaz de matar seres humanos em condições de segurança? Já não se pensa no que se mata mas na melhor forma de o fazer. Na forma mais “digna” de tratar do assunto! Isto vai nos levar onde? Qual é o papel da sociedade, ou seja, de todos nós? Não será o de proteger os seus membros? Ainda por cima estamos cada vez mais velhos dada a baixa taxa de natalidade. Se não apostamos no seu rejuvenescimento estamos a provocar o seu suicídio. Não deveríamos apoiar a todo o custo o aparecimento de novos membros, o desenvolvimento de famílias, o acolhimento aos inocentes que também tem direito à vida como nós? Que direitos são superiores ao direito à vida? Sem o direito à vida nenhum outro direito existe. Sem o direito à vida, porventura nenhum de nós viveria e se poderia arrogar do direito à liberdade de escolha, à saúde, educação, habitação e tantos outros “luxos”.
O Sim:
- …
26/1/07 21:29

cibernauta disse...
lolita, ainda não respondeu à minha questão... será que é por eu ser "parola"?
27/1/07 13:06