11.2.08

Foi há um ano!


Ia ser a barbárie. Ia ser o descalabro. Ia-se a abortar a torto e a direito só porque as mulheres são devassas, não sabem o que fazem. Iam abortar e ficar "loucas, alcoolizadas e terem acidentes de viação"(desculpem, mas não me apetece linkar Alexandras Tetés...) Pelos vistos, apenas 6000 mulheres abortaram a seu pedido, pouco mais de metade do previsto em seis meses de despenalização. Durante o ano que passou não ouvimos que estas 6000 mulheres tenham ficado doidas, perdidas, ou tenham tido desastres de automóveis. O que deixámos de ouvir foi histórias de abortos clandestinos inseguros, mulheres com medo de irem ao hospital, mulheres com medo de represálias. E sim, o nosso blog também deixou de ter visitantes que vinham cá parar com as palavras de busca "fazer aborto com uma agulha de croché". Não estou segura que o aborto clandestino tenha totalmente desaparecido ou que a lei seja implementada a 100%, e ainda há um grande caminho a percorrer, na educação sexual, na informação, no planeamento familiar, mas que há um ano demos um passo de gigante na nossa democracia, demos, sem dúvida alguma. 

7 comentários:

ana disse...

Os defensores do "não" andam tristes. Tão poucos abortos, afinal!Eles queriam muitos, muitos e muitos abortos.Pois é, vão ter de se contentar. Presumo e desejo que sejam cada vez menos. O aborto clandestino não acabará nos próximos tempos, mas este foi um passo muito importante.Falta agora a educação sexual nas escolas (parece que em casa não há muita) e a divulgação da prevenção, coisa em que a com. social não está empenhada. Mas pelos menos acabaram os julgamentos, a vergonhosa devassa da intimidade das pobres.É que nem todas, como as meninas do "não", tinham dinheiro para ir a Londres.

RJ disse...

Infelizmente ainda há mulheres com medo de ir ao hospital (ou melhor, com vergonha).

O passo é gigante, mas ainda há muito a fazer a nível de informação e de esclarecimento, tal como é dito neste post.

E esperemos que não haja interferências baseadas em beatices e irracionalidades no caminho para uma sociedade mais justa.

Desejo o melhor para todas as mulheres (como representante do sexo oposto). Este dia é vosso.

Miguel disse...

Cara Ana, os defensores do "não" andam mesmo triste, pode ter a certeza!!! 6000 abortos é um horror, uma vergonha para um pais civilizado. Muito vergonhoso foi pessoas como você que, para defenderem a legalização do aborto, não pararam de espalhar a mentira de que o número de abortos era muito maior! Agora vê-se que os números eram falsos, a actual lei UMA VERGONHA, que deve (E VAI) ser combatida.

Miguel

Maria disse...

Este post passa os limites do ridículo !!!!!
Chega ao ponto de apresentar a seguinte mentira:
"José Sócrates garante que a nova lei da interrupção voluntária da gravidez vai prever um periodo de reflexão e sistema de aconselhamento às mulheres"
Com uma mentira destas esperemos que este primeiro ministro siga o caminho do seu ministro da saúde que muito contribuiu para a legalização do aborto e (embora tarde) acabou indo para a rua, bom seria que no proximo ano o actual primeiro ministro seguisse o mesmo caminho!

Maria

RJ disse...

6000 IVG são dados certos recolhidos num determinado período de tempo (neste caso cerca de 3000 IVG nos 6 primeiros meses após nova lei). Tudo o resto são dados que carecem de objectividade e não devem ser usados para efeitos de comparação. Apenas se saberá mais daqui a alguns anos.

Imagino então que qualquer país que tenha legalizado a IVG até determinado tempo não seja "civilizado". Pode considerar a actual lei uma vergonha, mas não acha uma vergonha o facto de quando é proibido continuar a haver mas clandestinamente, independentemente das camapanhas de sensibilização, ajudas às mães e outro tipo de iniciativas coerentes com quem quer ter a criança?

Vergonha é a falta de coerência e de coragem dos indivíduos que defendem o "não".
Coerência pois vejo muitos a falar de "vidas humanas" e a equiparar a IVG a assassínio mas a não exigirem mudanças no código penal para enfiarem as mulheres uns 20 anos na prisão pelo crime de aborto.
Coragem por simplesmente não fazerem uma campanha em conformidade com a coerência que deviam ter. Mas não esqueçamos que uma campanha assim teria a censura da opinião pública, por isso é que estão caladinhos. A sorte é que esta demagogia da "vida" e as campanhas sensacionalistas afectas não mexem muito com a razão, mas sim com o coração, ou seja, muita gente nem pensa a fundo sobre o assunto e deixa-se levar pela onda.

Anónimo disse...

RJ e (autor deste lamentável post):
É bom que reconheça que esses dados careciam de objectividade. Reconhecerá também que foi de uma desonestidade gritante, eles terem servido para propaganda do sim, pois não eram objectivos. Claro que na falta de argumentos válidos tiveram que recorrer à mentira!
Claro que é uma vergonha existir aborto clandestino: existia, existe e continuará a existir!!! E então? Quer legalizar o aborto até às 20 semanas ? 30 ?!?! Qual é o número de semanas para os países civilizados?? Sabe? Porque é que vocês não se definem de vez?!?! São umas “Marias vão com as outras” tipo: “fazemos porque os outros também fazem!!!” De que têm medo? Desde quando para acabar com uma clandestinidade se legaliza a própria clandestinidade? Em que sector da economia é usada essa prática? Existe contrabando (clandestino): legalize-se o contrabando!!! Existe fuga aos impostos (clandestino): legalize-se a fuga aos impostos !!! Existe trabalho infantil (clandestino): legaliza-se o trabalho em qualquer idade!!! Existe pirataria de software (clandestina): legalizem-se as cópias piratas !!!!
Já pensou na estupidez que seria legalizar tudo aquilo que é clandestino, tal como aconteceu com o aborto ?!?!?! Legaliza-se o aborto porque é clandestino ou porque é bom?
Fala de “iniciativas coerentes com quem quer ter a criança“ … repare que:
o “acto de solidariedade” da parte dos que votaram sim é o aborto; gratuito e “seguro” ! Estranha forma de praticar a solidariedade !!!
Caro RJ, desconhece, mas apresento-lhe uma lista de instituições que, essas sim, têm atitudes de ajuda para com as mães em dificuldade:
http://www.juntospelavida.org/institui.html
Estas instituições, não fazem campanha a favor do aborto e duvido que algum dos seus membros tenha votado sim!!! Portanto, quem votou sim é melhor que pense 3 vezes antes de falar em solidariedade e ajuda às grávidas. Saiba que, essa solidariedade (sempre insuficiente), vem sempre do outro lado; dos que votaram não. De resto o seu grau de conhecimento é bem pobre!!! Saiba também que para além de não existirem mulheres na prisão só pela prática do aborto, muito menos existe pena de 20 anos !!! Um pouco mais de conhecimento e objectividade não faz mal a ninguém, muito menos a que é (ou pretende ser) Engenheiro.

Miguel

RJ disse...

Não é mentira dizer que o número de IVG tenha ficado abaixo do previsto. E não esqueçamos que muitos dos movimentos ligados ao "não" profetizaram um número bem superior. Aí secalhar também se invocaria falta de objectividade.

Lembro que em países bem civilizados como o Reino Unido a data é de VINTE E QUATRO semanas. A meu ver as 10 semanas até são insuficientes se considerarmos o tempo que uma mulher nota a ficar grávida e o necessário período em que considera ou não vir a ter a criança.

A questão da clandestinidade é muito interessante. A IVG, tal como as drogas, não vai acabar com a proibição. Para mais, ambos são um problema de saúde pública. Aposto que há muita mulher que prefere ir para a prisão do que ter uma criança que não deseja.

Quanto à questão da solidariedade, é de louvar o aparecimento dessas instituições de apoio a mulheres que QUEREM ter a criança. Não sei se vêm das pessoas que votaram "não", mas são importantes pois ajudam muitas mulheres que teriam de recorrer à IVG por razões económicas ou relacionadas. E creio que quem defende o "sim" aplaude a existência desses pontos de apoio.
Mas não esqueçamos que é uma barbárie obrigar uma mulher a ter um filho contra a sua vontade. E o mesmo se passa quando se obriga uma a abortar contra a sua vontade e consciência. O facto de haver condições financeiras e ajuda não é factor suficiente para que uma mulher queira ter um filho.

Quanto ao seu argumento de não haver mulheres na prisão: Se a lei existe é para ser aplicada e o simples facto de haver condenação já é pouco dignificante. Tal como Marcelo Rebelo de Sousa defendeu e foi parodiado pelo Gato Fedorento, a ideia de manter a lei e não condenar as mulheres é completamente absurda. Primeiro porque não acaba com o aborto clandestino, depois porque descridibiliza e ridiculariza a Justiça.

Se os defensores do "não" se preocupam tanto com as "vidas" que são assassinadas por IVG porque é que não defendem a prisão das mulheres? Acho que, tecnicamente, até é homicídio qualificado, punível até 25 anos pelo código penal.