25.7.07

Estereótipos de género (II)

Não é raro uma mulher ser tratada de púdica, frígida e por aí fora, se se mostrar indignada com o excesso de pele feminina ou a exploração do corpo da mulher na publicidade.
(Para quem estiver atent@, não é dado o mesmo tratamento ao corpo da mulher e ao corpo do homem. Quando este aparece despido, salienta-se os músculos e a força, enquanto na mulher valoriza-se um corpo esbelto, firme, sem celulite.)
Há muito que o corpo feminino e o erotismo servem para atrair potenciais comprador@s. E é vasto o leque de produtos que vendem, desde gadgets («"objectos de desejo" provenientes dos mais diversos mercados: electrónica de consumo, automóveis, dispositivos móveis, artigos desportivos, informática - dixit Stuff ») a produtos mais triviais: cerveja, água com sabor, chupa-chups, assinatura telefónica...

Ontem o Diário de Nótícias publicou a seguinte notícia - que reproduzimos na íntegra:

«Erotismo nos media está a gerar polémica em Itália

Emma Bonino diz ter a sensação que feminismo já não existe em Itália

O debate e a polémica estão lançados. A exploração do corpo da mulher em anúncios e programas de televisão está a ser duramente criticada em Itália. Os críticos vêem este fenómeno como um sinal da derrota das conquistas feministas alcançadas nas últimas décadas.

A polémica chegou a tal ponto que esta semana dois dos principais jornais italianos apareceram nas bancas com os títulos "A Itália é o País das mulheres nuas" e "Onde as mulheres são apenas objectos". As publicações concluíam que, passadas três décadas da aprovação da legalização do divórcio e do aborto, dois marcos das conquistas femininas, as italianas parecem não se importar por "estarem a ser exploradas e tratadas como simples objectos".

Foi o Financial Times que lançou a primeira pedra do debate ao publicar um artigo de quatro páginas, onde se critica "o uso de bailarinas em todos os géneros de programas televisivos e peças publicitárias, dominados por alusões sexuais, e o prevalecimento da mulher como objecto, destinada a excitar os órgãos genitais do homem em vez do cérebro".

O artigo lançou o debate mas a polémica tomou novas proporções com a campanha publicitária da companhia de telefonia celular TIM que utiliza a imagem de uma famosa ex-bailarina vestindo um reduzido biquini vermelho numa pose erótica. Em declarações à BBC, uma fonte da TIM justificou que o nível de erotismo na publicidade reflecte a cultura do País. "Os publicitários fazem pesquisas de mercado e detectam o que pode melhorar as vendas. Se o retorno é positivo, quer dizer que a maioria dos italianos está satisfeita".

Emma Bonino, ministra para o Comércio Internacional e para a Política Europeia, e protagonista de muitas lutas feministas dos anos 70, disse ter a sensação de que o feminismo já não existe em Itália e lembrou, como exemplo, que actualmente o número de mulheres no Parlamento continua igual ao de 1976.

"Entre seios e traseiros ao ar, estamos a arriscar chegar a um retrocesso cultural do País", vaticinou, por sua vez, a célebre actriz Francesca Reggiani, em entrevista ao La Repubblica. »



Pessoalmente não me incomoda o corpo feminino estar presente na rua, nas revistas, na TV, mas incomoda-me, e muito, que as sucessivas imagens com que somos bombardead@s não reflictam a diversidade das mulheres, que o modelo que nos impõem seja tamanho único. Pois a mim, esse modelo não serve!

Mais uma vez, a Dove destaca-se com brilho no meio deste panorama unicolor:






Miss Piggy

2 comentários:

homempasmado disse...

Concordando com o post, gostaria de mencionar algo relacionado.

Há uns anos atrás li na secção de cartas de uma revista sobre fotografia, a resposta à pergunta:

Porque razão as revistas de fotografia, (para amantes de fotografia, que gostam de aprender e ler umas dicas, de ver boas fotos), têm "sempre" mulheres (bonitas e pouco vestidas) na capa?

A resposta foi:
As mulheres vendem. Citaram inclusivamente o exemplo de uma excelente publicação, que se recusava por princípio a seguir essa moda. Foi à falência.

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Como é dito, a Dove é um bom exemplo, mas não sei se o fazem por questão de princípio e convicção, se por oportunismo comercial!
(eventualmente por ambas?)

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Talvez as pessoas que se sentem ofendidas com esse tipo de publicicdade devessem começar a apelar a e a boicotar a compra desses produtos e/ou serviços.

Milla disse...

Mero oportunismo da DOVE! Não caiam nessa!!!! A dove é da Unilever! A mesmíssima que produz Fair and lovely! Procurem no youtube Campaign for Real Beauty
e sobre o Fair and lovely!